terça-feira, 14 de outubro de 2008

A uma poesia de pessoa

Então, gente! Como não poderia ser amante de palavras? Vivo cercado por elas e outros amantes dela me conceberam. Pois é, sempre soube que meu pai escrevia versos por aí, mas seus textos viviam trancados em uma mala (pelo menos essa era a lenda lá em casa...).
Eu mesma só tive acesso a uma letra de música no início da adolescência (apartamento da Senador Vergueiro, um grande quarto para minha irmã, meu irmão ainda pequeno e eu - imaginem o reboliço!!!). Meu pai, nessa época de grande bagunça em nosso quarto, fez um sambinha sobre as milhares de atividades dos seus 3 filhos. Enquanto um jogava Atari, a outra se vestia para ir ao cinema e a outra ainda estudava alto para enlouquecer de vez a casa. Só lembro que vivíamos cantando o refrão do samba e nosso pai acompanhando no violão. Cena cômica!(ai ai, boas memórias... Nossa casa sempre foi barulhenta e hoje se gosto de altos decibéis que, às vezes, atrapalham a vida de meus vizinhos, devo à extensa coleção de vinil de meu pai, a essa casa de muitos barulhos).
A família toda diz, e hoje, depois de algum sofrimento, sei que é verdade: eu tenho muita coisa dele, da introversão e timidez à forma incisiva de expor nossas verdades. Se é pra falar alto o que pensamos, a gente grita mesmo, né, pai!
Depois de alguns conflitinhos (olha o eufemismo!), posso dizer que ele é um grande amigo e que é bom demais ser amigo do meu querido pai.
Aproveito para reverberar aqui que também sou Peixoto, viu? Se escolhi só o Lima de meu nome é porque o Lima mais querido de nossa família permanece sempre vivo dentro de mim, mesmo depois de ter ido embora deste mundo.
Isso tudo é para contar que enfim tive acesso a um poemeto de sua lavra. Semana passada fui presenteada por alguns versos de meu pai que aqui reproduzo. A emoção de ler os fofíssimos versos no mesmo dia em que mais um integrante de nossa família veio ao mundo foi indescritível.

A uma poesia de pessoa

Fabi,se chego da rua,
Ao descer do ônibus em frente ao meu prédio,
Olho para cima, sexto andar, tudo apagado.
Até aí tudo bem,
Já que entrando em casa talvez seja outro o remédio
Abro a porta, entro,
De fato tudo está quieto, calado,
Tudo mais ou menos arrumado, sem rebuliço,
Em mansidão, calmaria, como se em tédio.
Na cozinha, a geladeira sem yogurte, sem mamão,
Também sem queijo minas, frios light, mate diet limão
Retratos de uma presença recente, você, com seu ritmo,
Com sua tocada toda especial, seu diapasão,
Seu timbre pessoal, a risada fácil e com muitos decibéis,
O agito permanente, o pique nervoso, seu cabelo, seus anéis,
O cheiro forte dos perfumes, dos cremes,
Tapete meio enrolado, sua presença simultânea à sua ausência,
Ritmo frenético, agitado, coisa sua, tudo sem maldade.
São marcas de uma filha que muito admiro,
Que ficaram nos diversos cantos da casa
Para assaltar-me com um sentimento de muita saudade.

Pai, te amo!!! João, seja muito bem-vindo a esse doido e delicioso mundo!

14 comentários:

Andrea Carvalho STARK disse...

ADOREI!!! MAnde o email de novo para os amigos, com o endereço q vc se esqueceu...
e CORRIJA o meu do link
Está http://http//agrinalda.blogspot.com/
MAS é
http://agrinalda.blogspot.com

OBRIGADA por ter me incluido nos links!!!!

Depois vou ler mais com calma, agora tô correndo...
BJO DEIA

Cintok disse...

Foi com enorme e até digo gigantesco prazer que entrei no seu Blog hoje!
Fabi que saudades imensas de você professora de vida que tive a honra de ter na época da Fundação Osório!
Quando vi o e-mail falando sobre o Blog, pensei logo, que presente acabo de receber em poder ter novamente na minha vida palavras maravilhosas vindas de você!
Hoje nem vou comentar muito sobre os textos, mas tenho que relatar a enorme saudade e o calorzinho no coração que me deu ao ouvir você falar do seu avó, sinto a mesma coisa em hoje poder ouvir músicas que o meu pai avó Jonas ouvia como é o caso de Noel Rosa e Cartola na qual tenho certeza trazem muito mais a presença dele no meu dia a dia.

Pode ter certeza absoluta que seria frequentadora pertinente e diária no seu Blog, pois é sempre muito bom ter você por perto, principalmente através de palavras!

Amanhã eu volto!

Bjs enormes e cheios de Saudades!

Cintia Dias

Wilson disse...

Fabiana,

Nestes últimos anos nunca havia parado pra avaliar (nem mesmo recordar) a delícia que era estar no apartamento dos "Lima Peixoto"... infelizmente, não vivenciei a magia da Senador Vergueiro, mas não tenho dúvida de que lá na General Glicério a vibração não era muito diferente... maravilhosos momentos, incríveis recordações, inacreditáveis barulhos... ha! ha! ha!... muito obrigado, não só pelas estadias, mas principalmente por estas recordações!

E por último, mas não menos importante... quem é o novo membro da família, minha gente???

Beijão,
Wilson

Walfredo disse...

Fabi, legal muito bonito o seu blog; como acredito que ele está fado ao sucesso, já vou dando os meus parabéns. Só me diga se "soulsista" é o nome do blog. Afinal, sou leigo . E se for, o que quer dizer, ou não quer dizer nada.
Obrigado pela deferência de uma primeira página, e acredito que frequentando-o, saberei muitas outras peculiaridades da personalidade de figura tão especial como é você.
Me eximo de comentar sobre a minha obra poética, por pura modéstia.
Mais uma vez, boa sorte.
Beijos,
Walfredo (seu velho pai)

Lua disse...

Ele não poderia ter sido mais preciso!
Obrigada meu Deus, por essa família de tantos decibéis!

:: Soul Sista :: disse...

Cíntia, querida, sabe que você pra mim é muito mais que uma aluna que passou, né? Já disse isso e não canso de repetir. Tenho um imenso orgulho da mulher que você sempre foi, desde muito novinha. Mantenhamos contato por aqui sim, ta? A idéia aqui é justamente essa. Beijos

:: Soul Sista :: disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
:: Soul Sista :: disse...

on, vc, a Andrea, o Carlinhos e tantas outras pessoas sempre fizeram parte dos barulhos lá de casa. Nossa, sempre foram muito sim: nossa risada alta, um piano às vezes desencontrado, um som alto, nossa gritaria, nosssos amigos que iam e vinham, casa de loucos, às vezes loucos sãos e às vezes loucos loucos mesmo, né? Tantas histórias... E como disse, você está em muitas delas. Obrigadíssimo por isso. Ainda vou escrever ou falar aqui sobre esses barulhos todos, porque hoje eles fazem parte de mim, para o bem e para o mal. Vai ser legal rememorá-los.
Um grande e saudoso beijo

:: Soul Sista :: disse...

Lua, obrigada por aturar meus decibéis! E quando escutar o som alto que se repete, pode insistir na campainha, ta? É que às vezes não to tomando banho não - rsrsrsrsrs Beijão

:: Soul Sista :: disse...

Já mudei, viu, Grinalda? Tem cantado muito, Déia? Saudades de sua linda voz e de nossos recitais lá em casa. Beijos

:: Soul Sista :: disse...

Pai, obrigadíssimo! Sua obra poética não precisa de comentários - srsrsrs. Um grande beijo

Katia disse...

Fabiana,
valeu muito a pena te perturbar pra socializar conosco o seu pensar.
Já de cara, com a foto inicial, me senti sentindo, e aí vem a poesia do seu pai pra/sobre voce... Pra lá de emocionante.
Bem-vinda!

E nao pare!

bjs

Katia

Walfredo disse...

Fabiana,
Só um beijo e meus cumprimentos pelo seu dia, hoje, com votos de muitas alegrias e reconhecimento constante por sua profissão. Lembra que você dizia que ia estudar para ser professora porque sabia que a vida de artista (a qual você pretendia ingressar, com cursos de piano, dança, teatro etc etc)era incerta, com "altos e baixos", e que dando aulas você poderia se defender nos momentos dos "baixos"?
Pois é, deu nisso, uma brilhante professora, dedicada sempre ao mister do ensino.
Boa sorte,
Walfredo

natao08 disse...

Oi Fafi,nossa li o poema de seu pai com lágrimas nos olhos.Este fala o que realmente sente,pois uma vez falou na minha cara que sou feio.kkkMas é uma pessoa que admiro e vc sabe disso.Parabéns pela iniciativa do blog e pela estréia de Walfredo como Poeta.rsrs Bjão PAZ