segunda-feira, 10 de maio de 2010

Meu Deus, Ave Maria!


Hoje no banho me lembrei de antes, muito antes
Me lembrei das delícias num puff de uma sala sem nada
Me lembrei do meu coração na espreita até que eles chegassem

Antes dele… foram muitos
Tudo muito divertido
Me lembrei das danças na sala
Do amor na cozinha, porque tinha gente no quarto
Lembrei do puff macio que afundava

Antes dele eu ri demais
E vivi a luxúria de ter o homem mais bonito do mundo
Me visitando todo dia
“Meu Deus, Ave Maria! Se ele não é um dos seus, ninguém mais seria…”

Antes dele,
Me diverti com amores secretos, com amores artistas, com amores sérios trabalhadores, com justiceiros professores, radicais revolucionários
Brasileiros, estrangeiros…
Foi tanta farta conversa de línguas e corpos,
Amores bonitos de pegar, todos eles.

Quem antes dele?
Cabeleira farta, dreadlocks compridíssimos, cabeça raspada
Malhadão, magrinho que eu tinha medo de amassar, barriguinha saliente,
Vaidoso demais, desleixado, bonito de qualquer jeito…

Nós brincávamos de dia e de noite.
Nomeávamos nossos corpos com nomes engraçados
Ríamos das nossas imperfeições

Antes dele, a sala cheia de velas.
Comida preparada por um que eu queria pra mim vida a fora
E vinho… muito vinho

Antes dele… café com leite docinho e pão na chapa
Na padaria da Santo Amaro
Antes dele… passeio no Leme
Calçadão de Copacabana
Amassos nos mergulhos das águas salgadas por aí
Porre no Posto Nove, briga no Posto Nove, pazes no Posto Nove

Antes dele, amor na sacada de um hotel
Pra matar a saudade de mais um reencontro
Depois de muitos, muitos Mojitos da Casa da Mãe Joana

Meu banho hoje foi demorado, divertido…
Levemente lembrei do antes, bem antes
Várias vezes entreabriu-se o sorriso com aquelas memórias safadas de lembrar
Meu banho hoje, sei não...
Senti meu corpo se preparando
Aqui, a primavera está a toda! É flor por todos os quintais do “ghetto” onde moro.
Verão chegando! Com ele a luminosidade de uma vida na rua, sorrisos, saias curtas, música, dança ao ar-livre e muita, muita azaração!
Não é possível que eu não volte a rir com os amores que virão.

9 comentários:

*ANDREA CARVALHO STARK* disse...

NOOOOSAAAA!!!!!!!!!! MAMMA MIA,AVE MARIA, LET ME GO!!!!! RS BJJJ

GIL ROSZA disse...

uauuuu... primavera no lado setentrional anda te fazendo bem hein? vem cá... mas q banho foi esse? hehehehehehe

:: Soul Sista :: disse...

Gil, esse banho foi como eu contei... um banho de memórias. Tem duplo sentido aqui não! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

Wilson disse...

Aí... tu pegou pesado, hein nêga!!!

Pobres "rapazes do gheto"... pobre verão que se aproxima... rs

Mil bjs,
Wilson

:: Soul Sista :: disse...

É, Wilson! Pobres rapazes... Ou ricos, né? Depende do ponto de vista... rsrsrsrsrsrsrsrs

Beijão

Lina disse...

Fafaziiiiiiinha!
Não te sabia poeta, Fafá.
Lindo, lindo, lindo.
Muito bem, Fafá.
Bjs

Anônimo disse...

ah, o comentário foi meu, Luciana (leia-se "lesada")

Anônimo disse...

só te digo uma coisa:
chorei
a gente precisa pensar em te publicar...

ananita rebouças disse...

Lindo!
A ousadia de dizer o que se sente e o que se pensa, independente da impressão que o leitor vai ter sobre o autor é realmente mágico!
É isso o que importa: o que o leitor vai sentir POR ELE mesmo do que leu.
Pouco importa se a inspiração vem da realidade ou da imaginaçao. O que importa mesmo é o produto final.
E o produto deste poema é simplesmente BÁRBARO!