
Medrosa como sou, temia expor demais minha alma em contradição aqui neste espaço. Na verdade, nem imaginava que o fato de ter um blog me levaria a escrever baboseiras com tanto prazer. E que esta escrita viria livre, sem amarras de qualquer ordem, só respeitando mesmo o íntimo ritmo do que me toma por dentro. Uma transformação começou a se dar sem que eu nem sentisse desde que comecei a usar mais esse meio de comunicação aqui.
De repente me vi pensando em textos próprios para blog. Sentia, observava alguma coisa que profundamente tinha me tocado e pensava na hora, "tenho que escrever isso lá em SOULSISTA". Acontecimentos, fatos vividos ou conhecidos aqui, só aqueles que me subjugam, impondo-se a mim. Non-sense. Escrever sobre ninharias de nada, isso muito me interessa, porque, quase sempre, o pequeno, o ordinário, o de sempre guarda uma profundidade que nosso olhar superficial nos impede, por algum motivo, de ver. Engraçado! Essas reflexões estão vindo aqui agora, sem muito pensamento prévio, elas vêm quando tento buscar o que tem me movido a fazer postagens, quase que semanais, aqui!
Em três meses e pouquinhos dias, passaram por aqui a linda memória de meu avô, textos melosamente sentimentais, reflexões sobre os nadas de sempre, alegrias, sonhos, mundos inventados, tristeza, blues, morte em vida e vida em morte. Enfim, tantos diferentes assuntos, mas que podem ser lidos todos como um grande texto só. Às vezes acho que essa tendência para repetição que tenho desde pequenininha (quando criança escutava mil vezes o disco da história da "Formiguinha e a neve" e sempre chorava no mesmo ponto do enredo, quase no final; hoje, infernizo a vida de familiares e vizinhos escutando até cansar a mesma música, sentindo em todas as execuções, quase sempre, o mesmo prazer - IMPRESSIONANTE!!!!) acabou se estendendo para cá, porque, quando releio as postagens, tenho a impressão de, por perspectivas diferentes, estar sempre falando a mesma coisa.
Se a escrita, a minha voz aqui tem um sido um bálsamo medicinal para a alma, espero em 2009 conhecer muito mais pessoas através deste democrático espaço e estreitar cada vez mais os laços com velhos conhecidos do mundo virtual ou real mesmo. Desejo, nesta celebração que aqui comungo com vocês em forma de palavras, um 2009 de muita utopia. Que possamos olhar as estrelas, namorar a lua e ver sempre no infinito céu noturno inúmeras possibilidades de vida, pontos de luz e caminhos. Sigamos agora o ritmo de Oxóssi, guerreiro das matas, esse deus afro-hippie que, de alguma forma, habita todos nós. O ano é dele! PAZ, AMOR E MUITO BOA MÚSICA A TODOS!!!!
Aliás, como achei que faltou música aqui, não poderia fechar o ano, sem colocar pelo menos um sonzinho que gosto. Essa londrina selvagem tem incendiado minha alma ultimamente (os coitados dos meus vizinhos bem sabem). Mas em "Tears dry on their own", uma interessante letra que fala sobre a dor de ser deixada ou rejeitada por um homem, fazendo com que avassaladoras lágrimas sequem por elas mesmas, toma corpo com uma melodia que, em parte, é a incorporação de uma batida de "Ain't no mountain high enough", cantada em fins de 60 por Marvin Gaye e Tammi Terrell, e, em outra parte, é uma genial recriação do clima Motown. Com o enérgico e lindo som de Amy, nos despedimos de 2008 e inauguramos novos tempos no ciclo que há de vir...
Poster "Jubilo" de Keith Mallet