sábado, 12 de junho de 2010

eu, um hotel atlântico


Que ninguém me diga que ser anti-convencional é fácil, porque não é. Pelo menos pra mim! Queria mesmo era querer o que todo mundo quer. Metida a super-heroína como sou, prefiro os impossíveis, os limites. Às vezes me pergunto: pra que tanta aula sobre Guimarães e sua escrita dos entremeios, dos zonadas de cada um de nós? Pra quê?

Ser anti-convencional não é uma escolha, mas uma imposição. A única maneira de ser. Bom, se for uma escolha, é uma escolha à revelia (talvez qualquer escolha seja sempre um pouco isso mesmo). Sei não, viu, gente! Só sei que às vezes canso de pensar e, ainda cansada, continuo pensando. É demais! A obsessão por ver o detrás por detrás das coisas me atropela e quase nem sei pensar objetivamente.

Sou uma desastrada na vida cotidiana. Meu corpo esbarra em tudo, todo mês dou uma topada no pé (daquelas assim de dor de grito e unha quebrada, sabe? No mesmo pé da conhecida cama), perco guarda-chuva enorme dos outros, todo ano começo uma agenda nova, mas quase nunca uso e ainda borro minha unha todinha quando pinto de vermelho. Sem contar que, péssima amiga, não gravo o aniversário de ninguém, só dos familiares próximos, porque aí também, né? Até os dos meus sobrinhos tive que fazer força para memorizar, mas sei que uma é em julho e outro em outubro (ou setembro?). Às vezes nem eu me agüento! Dêem uma olhada no email de uma querida amiga de infânica, que sei que faz aniversário no dia 3 de julho, mas mesmo assim esqueço:

"Babi darling,
Happy Birthday
Muitas felicidades, prosperidade e sorte em seu caminho.
Grande beijo,
ps: Ve se toma vergonha and remember my birthday on July 3 girrrl, after 26
years of friendship.... hahahahahahahaha"

Dessa forma, sempre que sinto que alguém vai se tornar meu amigo pra valer, já vou logo comunicando: "pode contar comigo pra afogar mágoas até de madrugada, mas nunca lembro o aniversário de ninguém. Tem problema?" Assim já é mais prático e as pessoas me avisam antes. Ontem mesmo uma me disse: "Faaa, trate de lembrar do meu aniversário no dia 19 de junho, viu?" Tratei foi de anotar no meu bloquinho de fadas pra nunca mais me esquecer!

Olha só, bloquinho de fadas... Sou aquela do mundo das nuvens... Por isso esse desastre na vida real! Anti-convencional como sou, tenho momentos de profundo recolhimento, tão tão intenso, que sei, às vezes assusto as pessoas. Como da última vez que estive no Rio, minha cidade.

Foi um momento muito difícil de várias indefinições para mim. Não me sentia à vontade em nenhum lugar conhecido. Queria um espaço de trânsito, de passagem, neutro. Foi aí então que decidi ir para um hotel. Me hospedei no último andar desse prédio branco aí em cima, cravado na Rua Gomes Freire. Ali passei meus últimos dias de RJ, como uma estrangeira no meu próprio lugar (se é que tenho algum). A linda vista para a Av. Almirante Barroso e o lugar da hospedaria (cravado nos Arcos da Lapa) foram o que eu precisava para não me perder de vez. Poucas pessoas sabem (sabiam) disso, porque as que souberam, me ofereceram a casa, desculpando-se, como se fossem péssimos amigos por não terem oferecido antes.

Não era nada disso! Tenho poucos, mas queridíssimos amigos. Se quisesse ir pra casa de qualquer um deles, falaria. Não era o caso. Eu precisava mesmo era de um não lugar acessível! Dá pra entender?

Nessa história, sei que magoei muita gente pela minha esquisitice: desde minha mãe, que na época estava com casa nova e arrumou um quarto só porque eu ia chegar, uma grande amiga que morava na mesma rua do hotel e um ex-namorado e amigo de quase 20 anos (contamos outro dia- já estou naquela fase de não dizer mais quantos anos eu tenho, sabe? - rs), que fez um favorzão pra mim e depois eu sumi e, imperdoável, ainda esqueci o aniversário dele um mês depois. Só agora, ele está voltando a conversar e rir comigo de novo via MSN. Ele já até me pediu presentinho daqui! Ainda bem... Sou esquisita, anti-convencional, o escambau, mas uma das coisas que mais me conforta é preservar amizades, mesmo aos trancos e barrancos assim.

Ai, gente! Queria mesmo ter a paciência de esperar a carne assada ficar pronta e, enquanto isso, dar conta das crianças chegando da escola, dar banho, explicar dever de casa, ver televisão com elas, esperar linda o marido chegar, jantar com ele, deixando-o contar em detalhes todas as aventuras do dia. Mas não! Sou mesmo é um hotel, um hotel atlântico, puro mar aberto e profundo. Às vezes até eu mesma me queimo de tanto sal no meu mundo...

E como este foi um post inundado de parêntesis, aí vai mais um, o derradeiro (Pra não dizer que não falei de flores, hoje estou assim tocada, mesmo em terra estranha e sem namorado. Todo casal que vejo, murmuro bem baixinho pra não dar uma de maluca: "Happy Valentine's Day". E no meu Ipod só toca esta canção de Da Matta, porque quero um amor assim, em que "só nós dois sabemos ser príncipes sem um tostão").

Abraço apertadinho em tod@s, principalmente nos meus amig@s que amo de paixão!


12 comentários:

GIL ROSZA disse...

olha eu pegando carona nas suas memórias rsrsrsrs. alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a rio branco com a almirante barroso. era meu caminho prum trampo ali coladinho, na republica do chile. velhos tempos de centrão! sdde

Claudia Fabiana disse...

esses dias pensava cá comigo.. que saudade da Fabiana!!.. depois pensava.. ela está no hotel..;)
seu texto me deixou feliz.. você é o hotel.. atrás da vereda, como todo bom boiadeiro..
te gosto muito, tá?

Lina Lucia disse...

Querida filhinha
Sempre falo pra você qua a vida é simples, mas você gosta de aprofundá-la. Fazer o quê?
Sei disso tudo e volto a dizer que a encomenda está feita. É só aguardar.
Seja feliz. Isso é o que eu quero for you, menininha complicada.
Bjs

Wilson disse...

Fabiana, tu quer mesmo é acabar com o pouco de "fôlego" que me restou deste "Valentine's Day"... rs... êita amizade boa, hein!

Walfredo disse...

Gordinha,legal, legal mesmo.
Entendo o que é isso porque isso é o que chamo de viver, ou seja, experimentar e testar as próprias sensações, sem medo.
Descobrir (ou ao menos tentar) o que nos move em alguma direção que, ao certo, não sabemos qual é e nem porque se tem que se mover sempre.
Mas, movimentemo-nos sempre, pois movimento é ação e ação é vida.
Viva, pois.
Estamos aí ao dispor.
Beijos e o amor do pai,
Walfredo

nadjaa disse...

...tô aqui, digerindo, refletindo sobre o amor, as amizades e nossas esquisitices....

eu nao sabia desses dias no hotel, mas deve ter sido uma sensação no mínimo interessante

...uma vez por atraso no meu voo e oferta da companhia aérea, decidi que passaria a noite naquele hotel lá da linha verde e não voltaria pro meu quarto,que por sinal tinha deixado uma bagunça....foi esquisito, mas nao menos do que , como disse vc" querer propositadamente ser estrangeira em sua própria terra" optei e me divertia só em ligar pra família e amigos dizendo onde estava...
enfim...ßó queremos simplesmente SER....
saudade de tu, mulé!

Camilla Aloyá disse...

vc sabe que me pareço bastante com vc, tenho falhas de memória...

e só me FODO literalmente inclusive nesse lance de amor...

vi muito de mim no texto e te digo "calma, calma" um dia há de chegar nossa vez!

Camilla Aloyá disse...

e detalhe o que mais me surpreendeu foi o lance do não ser objetiva nos pensamentos, eu sempre quero saber o porque de tudo, investigar, detalhar e por aí vai...
as pessoas me chamam a bessa de chata por conta disso até os meus melhores amigos, ninguém consegue entender...

:: Soul Sista :: disse...

Hey everyone! rsrsrsrsrs

Thanks for all comments! rsrsrs

Adorei todos os comentários. Cada um dos que aqui comentam são, de diferentes maneiras, muito importantes para mim.

Esse é o meu jeito de ser. Neste momento, tenho curtido a vida e estou procurando aproveitar o momento de muito aprendizado. Apesar de escrever muito sobre a busca de um amor aqui, minha vida é muito mais ampla do que isso. Tenho outras buscas tão interessantes ou até mais do que amar numa relação saudável e plena de paixão! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

Minha gente, não estou matando cachorro a grito não! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

Agradeço as palavras de carinho e entusiasmo!

Um fortíssimo abraço em cada um de vocês!

Fafá.

: : AFROAFRICANO : : disse...

Bem eu era de um lokal, fui pra outro, namoro um outro e agora estou no meu primeiro lokal, porém sem estar em nenhum de fato. Visto que voltando ao que fui nem nele quis e desejo mais ficar, apenas no que namoro. Pois é nele que fiko em um hotel ke já chamo de kasa, e deixo no que fui um apartamento trankado. E no meu primeiro lokal não se vejo nele mesmo estando nele fisicamente. Vai ver por não pertencer de fato a nenhum deles prefiro um hotel, um lugar neutro. E este daí eu bem conheço ele dá direto no lokal que eu fui, mas não consigo fikar mais nele.

Bju Bjus

Paz e Graça

Uhuru

:: Soul Sista :: disse...

Mbuta, vc é tão estrangeiro quanto eu. Namorar um lugar é demais! Bora morar num hotel? Você no que vc namora e eu em qualquer um pelo mundo. De nossos quartos de hotel, falaremos pelo skype e gastaremos diariamente o dinheiro que não temos. rsrsrsrsrsrsrsrsrs Vida boa de malandros a aprender por aí!


Uhuru sempre!

Beijo

Katia Costa-Santos disse...

Eu lembro desse momento, e quase fomos vizinhas de hotel, lembra? :))))

Tudo muito normal, Fabi.
Anormal é fazer a vontade alheia -- nao podemos nos esquecer disso; vc leu a "carta de Berna", da Lispector? é disso que ela esta falando.

Bjs mui solidários