Cosme e Damião
Cadê Doum?
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru...
(Domínio Público)
Cadê Doum?
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru...
(Domínio Público)
Salvador tem me dado muitas coisas boas, uma das que mais me emociona é a possibilidade de contar o tempo a partir de momentos sagrados que se renovam. Sejam as trezenas de Santo Antônio em junho, sejam, no mês de agosto, os filhos de santo de Omolu fazendo suas andanças de pedidos, seja o alegre mês de setembro, com múltiplos fartos carurus como oferenda a São Cosme e Damião, os famosos carurus de sete meninos.
Esse mês já fui a dois, bem diferentes, porém maravilhosos. Sinto-me espiritualmente confortada não só com a saborosa comida, mas principalmente quando vejo os preparativos, as panelas ou travessas cheias, as crianças correndo, as cocadas, a cana, a banana frita, a pipoca. Tudo muito, muito gostoso! Tão bom quanto a volta da escola pra casa, recolhendo com minha irmã Adriana, sacos e mais sacos de doces de Cosme e Damião pela Rua do Catete. Em casa, pegávamos a maior bacia, juntávamos todos os doces e tínhamos balas, maria-moles, cocadas, pés-de-moleque semanas a fora....
Esse mês cheio de dêndê e doçuras também me leva mais uma vez a refletir sobre o quanto a fartura tem sido para poucos e a miséria espalhada por entre tantos neste mundo. Hoje, ao passar pela Praça Piedade, vi três carros distribuindo não doces a crianças, mas quentinhas para dezenas de moradores de rua que por ali circulam. Adultos, tais quais crianças, corriam doidos pelo prato de comida ao meio-dia e, rapidamente, se escondiam onde dava para comerem sem serem incomodados; crianças com os braços abraçados a balas e doces também aos montes pulavam em desvantagem pelo prato de comida. Alguns meninos, ainda lerdos do efeito do crack, desconseguiam levantar do banco para disputar o almoço. Comer pra quê?
Claro, aquele almoço era saco de doce em oferenda... É, o poder do tempo sagrado pode não resolver o problema da fome, mas ameniza, por um momento, a dor de muitos. E isso é, de fato, poderoso!
Que a farta doação de amor transformada em ritual no setembro de Cosme, Damião e Doum tome radicalmente as nossas vidas para que, de fato, a alegria da fome saciada se expanda pela Terra, nossa casa toda!

Esse mês já fui a dois, bem diferentes, porém maravilhosos. Sinto-me espiritualmente confortada não só com a saborosa comida, mas principalmente quando vejo os preparativos, as panelas ou travessas cheias, as crianças correndo, as cocadas, a cana, a banana frita, a pipoca. Tudo muito, muito gostoso! Tão bom quanto a volta da escola pra casa, recolhendo com minha irmã Adriana, sacos e mais sacos de doces de Cosme e Damião pela Rua do Catete. Em casa, pegávamos a maior bacia, juntávamos todos os doces e tínhamos balas, maria-moles, cocadas, pés-de-moleque semanas a fora....
Esse mês cheio de dêndê e doçuras também me leva mais uma vez a refletir sobre o quanto a fartura tem sido para poucos e a miséria espalhada por entre tantos neste mundo. Hoje, ao passar pela Praça Piedade, vi três carros distribuindo não doces a crianças, mas quentinhas para dezenas de moradores de rua que por ali circulam. Adultos, tais quais crianças, corriam doidos pelo prato de comida ao meio-dia e, rapidamente, se escondiam onde dava para comerem sem serem incomodados; crianças com os braços abraçados a balas e doces também aos montes pulavam em desvantagem pelo prato de comida. Alguns meninos, ainda lerdos do efeito do crack, desconseguiam levantar do banco para disputar o almoço. Comer pra quê?
Claro, aquele almoço era saco de doce em oferenda... É, o poder do tempo sagrado pode não resolver o problema da fome, mas ameniza, por um momento, a dor de muitos. E isso é, de fato, poderoso!
Que a farta doação de amor transformada em ritual no setembro de Cosme, Damião e Doum tome radicalmente as nossas vidas para que, de fato, a alegria da fome saciada se expanda pela Terra, nossa casa toda!
