terça-feira, 6 de outubro de 2009
Eu... um livro pra Chico
Chico, minhas nádegas não são rosadas
Muito pelo contrário
Mas não há pele que reluza mais as letras do que a minha
Teresa sou, a última...
Dispo meu corpo e olho refletido no espelho
Um livro inteiro em mim
A primeira T., amada demais
Pura Perdição
Ela não sabe mesmo ler o livro em si
As putas, desalinho,
Nem Teresas são
Mero simulacro
As Teresas estudantes, afobadas demais
Não se deixam admirar, oferecidinhas
O livro com elas não ganha tino nem ritmo
Meu ritmo, na medida exata
Sou eu, Chico, teu livro
Nasci e já sabia
Queria ser livro
Ser livro para um homem só
Por isso deito ao teu lado na cama
E te deixo escrever em mim
Cuido de ti, das tuas letras
E calma, raspo a cabeça
depois que tudo é só tanto de letra em meu corpo
Ali, você pode findar o texto
Ou até mesmo assumi-lo infinito
Eu, Chico, um livro semi-aberto por decifrar
De trás pra adiante, de adiante pra trás
Só eu no mundo para ler teus escritos, mais ninguém
Por isso eu te ensino
E ofereço meu corpo em papiro
Dias e noites... orgias de escrita
Depois da água bebida
A minha, branca, a tua, transparente
Continuaremos grafias em nossos corpos
Profusão de letras
E eu, um livro
Sem fim...
sábado, 3 de outubro de 2009
Nei Lopes premiado
Acabei de saber por email que Nei Lopes ganhou o Prêmio Jabuti, na categoria "livros didáticos e paradidáticos". O feito é digno de nota porque o assunto é dos mais pertinentes ao ensino formal do Brasil contemporâneo. Utilizando palavras do próprio Nei, sua História e cultura africana e afro-brasileira, editada pela Barsa Planeta em 2008, trata da "mestiçagem cenográfica", que tem sido encenada e re-encenada em nosso país. O
tema está na moda, mas pessoas competentes para desenvolvê-lo são raras. Nei Lopes, de fato, tem autoridade para abordar criticamente o assunto. Certamente, este livro será uma das minhas próximas leituras!
tema está na moda, mas pessoas competentes para desenvolvê-lo são raras. Nei Lopes, de fato, tem autoridade para abordar criticamente o assunto. Certamente, este livro será uma das minhas próximas leituras!
Um dos maiores eruditos em história da cultura afro-brasileira, o cantor, compositor, sambista e, como ele bem gosta de enfatizar, escritor Lopes, devido à vida e currículo dedicados a lutar intelectualmente contra o racismo, já deveria ter sido agraciado com muitos outros prêmios editoriais, diga-se de passagem! Por ora, deliciemo-nos com a palavra sempre bem-humorada, inteligente e crítica do seu Lote aqui na rede e festejemos com ele o fato de ter entrado no Jabuti, como ele mesmo disse, pela porta do livro didático!
Que essa premiação signifique também o largo uso do seu livro nas salas de aula!
domingo, 27 de setembro de 2009
Fartura pouca, meu pirão pra todos
Cosme e Damião
Cadê Doum?
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru...
(Domínio Público)
Cadê Doum?
Cosme e Damião
Vem comer seu caruru...
(Domínio Público)
Salvador tem me dado muitas coisas boas, uma das que mais me emociona é a possibilidade de contar o tempo a partir de momentos sagrados que se renovam. Sejam as trezenas de Santo Antônio em junho, sejam, no mês de agosto, os filhos de santo de Omolu fazendo suas andanças de pedidos, seja o alegre mês de setembro, com múltiplos fartos carurus como oferenda a São Cosme e Damião, os famosos carurus de sete meninos.
Esse mês já fui a dois, bem diferentes, porém maravilhosos. Sinto-me espiritualmente confortada não só com a saborosa comida, mas principalmente quando vejo os preparativos, as panelas ou travessas cheias, as crianças correndo, as cocadas, a cana, a banana frita, a pipoca. Tudo muito, muito gostoso! Tão bom quanto a volta da escola pra casa, recolhendo com minha irmã Adriana, sacos e mais sacos de doces de Cosme e Damião pela Rua do Catete. Em casa, pegávamos a maior bacia, juntávamos todos os doces e tínhamos balas, maria-moles, cocadas, pés-de-moleque semanas a fora....
Esse mês cheio de dêndê e doçuras também me leva mais uma vez a refletir sobre o quanto a fartura tem sido para poucos e a miséria espalhada por entre tantos neste mundo. Hoje, ao passar pela Praça Piedade, vi três carros distribuindo não doces a crianças, mas quentinhas para dezenas de moradores de rua que por ali circulam. Adultos, tais quais crianças, corriam doidos pelo prato de comida ao meio-dia e, rapidamente, se escondiam onde dava para comerem sem serem incomodados; crianças com os braços abraçados a balas e doces também aos montes pulavam em desvantagem pelo prato de comida. Alguns meninos, ainda lerdos do efeito do crack, desconseguiam levantar do banco para disputar o almoço. Comer pra quê?
Claro, aquele almoço era saco de doce em oferenda... É, o poder do tempo sagrado pode não resolver o problema da fome, mas ameniza, por um momento, a dor de muitos. E isso é, de fato, poderoso!
Que a farta doação de amor transformada em ritual no setembro de Cosme, Damião e Doum tome radicalmente as nossas vidas para que, de fato, a alegria da fome saciada se expanda pela Terra, nossa casa toda!


Esse mês já fui a dois, bem diferentes, porém maravilhosos. Sinto-me espiritualmente confortada não só com a saborosa comida, mas principalmente quando vejo os preparativos, as panelas ou travessas cheias, as crianças correndo, as cocadas, a cana, a banana frita, a pipoca. Tudo muito, muito gostoso! Tão bom quanto a volta da escola pra casa, recolhendo com minha irmã Adriana, sacos e mais sacos de doces de Cosme e Damião pela Rua do Catete. Em casa, pegávamos a maior bacia, juntávamos todos os doces e tínhamos balas, maria-moles, cocadas, pés-de-moleque semanas a fora....
Esse mês cheio de dêndê e doçuras também me leva mais uma vez a refletir sobre o quanto a fartura tem sido para poucos e a miséria espalhada por entre tantos neste mundo. Hoje, ao passar pela Praça Piedade, vi três carros distribuindo não doces a crianças, mas quentinhas para dezenas de moradores de rua que por ali circulam. Adultos, tais quais crianças, corriam doidos pelo prato de comida ao meio-dia e, rapidamente, se escondiam onde dava para comerem sem serem incomodados; crianças com os braços abraçados a balas e doces também aos montes pulavam em desvantagem pelo prato de comida. Alguns meninos, ainda lerdos do efeito do crack, desconseguiam levantar do banco para disputar o almoço. Comer pra quê?
Claro, aquele almoço era saco de doce em oferenda... É, o poder do tempo sagrado pode não resolver o problema da fome, mas ameniza, por um momento, a dor de muitos. E isso é, de fato, poderoso!
Que a farta doação de amor transformada em ritual no setembro de Cosme, Damião e Doum tome radicalmente as nossas vidas para que, de fato, a alegria da fome saciada se expanda pela Terra, nossa casa toda!
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Flores... uma infinidade de flores
Ando piegas... cada vez mais! E ultimamente dei pra usar flores no cabelo, como se quisesse mesmo dizer que por sob a força dos meus fios crespos há muita doçura, muita...
A minha caixa de madeira cuja tampa possui, em osso, um mapa da África nem fecha mais de tantas flores que há lá. Tem verdes, brancas (muitas), amarronadas, uma só vermelha e muitas, muitas coloridas, com tons de dourado, com diversas texturas, de tecido liso, de tecido estampado, de sisal, de palhinha delicada e até de plástico, uma mais linda que a outra. E tenho já em mente as que chegarão, quantas cores e formatos de flores poderei usar pra me enfeitar, fantaseando-me de mulher açucarada a passear por aí...
Nao é que hoje, diante de tão intensos e contraditórios sentimentos me deu vontade de distribuir flores a amig@s especiais que, por diferentes motivos, têm participado da minha vida recente direta ou indiretamente. Todos esses, sendo familiares ou não, inspiram-me diariamente para trilhar caminhos cada vez mais de acordo com o que acredito e quero pra minha vida e pro mundo.
Eita! Acho que acordei vendo flores em tod@s que têm me rodeado, porque recebi a terna visita de uma amiga de infância. Gente! Há coisa mais confortável do que ter um amiga de infância? Minha nossa, é muita vida junta pra atar e desatar nós... Duas meninas se conhecem aos 11 anos numa fila de escola, uma experiência nova pras duas. A maior, com cara emburrada porque não queria de jeito nenhum sair da escola antiga, com medo também. A menorzinha toda animadinha e solta... Aqui é a fila da 1503? É sim, responde a maior, sem querer prolongar o papo. Apesar de a menor ter achado a maior metidinha, a identificação foi mútua e quase instantânea. O tempo tem passado, nossas vidas têm tomado caminhos tão distintos, mas a admiração mútua continua. Sinto muitos fios atando-nos uma a outra, apesar da distância física já há alguns anos, apesar de sermos mesmo bastante diferentes uma da outra. Mas isso não importa, porque o que importa nas longas amizades é saber que a pessoa está lá, em algum lugar do mundo, vivendo a própria vida, mas que ao primeiro alô ou abraço a intimidade de sempre é instantaneamente retomada, tanto tanto que até zoação é a mesma de sempre. Através de amig@s de muito tempo nos reconhecemos novamente pelo olhar antigo-novo lançado sobre nós. Às vezes, achamos que mudamos muito, mas vem a amiga e mostra o quanto algum
as ações, discursos ou maneira de ser são os mesmos de anos atrás. Os conselhos continuam sinceros, desinteressados de tudo que seja interesse prático, material. E as fofocas, nossa, as fofocas são sempre renovadas... Muito bom!
A presença de Thati aqui em casa deu leveza a um momento triste pela perda da minha querida Tia Áurea, Bubu para os de casa (Quem quiser conhecer um pouco dessa mulher especialíssima, leia neste mesmo blog o texto MINHAS DUAS ANCESTRAIS VIVAS (declaração de amor). Apesar da tristeza da ausência, a tranqüilidade de saber que uma mulher tão boa, espirituosa e engraçada como Tia Bubu sofreu pouco no seu fim. Sinceramente, o Deus que ela tanto acreditava não podia deixá-la sentir muita dor, se angustiar mais do que a própria angústia de se saber próxima do fim indefinido... que nos espera sempre. Agora, sentada ao lado de Lelinho, seu irmão, e de todos os outros que já estavam ansiosos para rever sua alta gargalhada, tenho certeza de que Tia Bubu está em paz! Como despedida, ela, envolta em lindas margaridas brancas e amarelas, ao lado dos que a amavam assistimos a uma linda missa cantada. Por um instante, pude escutar sua voz cantando alto e suas palmas exultantes! Ali então senti que ela foi embora feliz. Acho mesmo que ela desencantou daqui, para encantar outros mundos, outras gentes...
Voltar pra casa do funeral e rir com Thati foi um bálsamo de doce aroma regando as infinitas flores do meu próprio jardim... Por tudo isso, a vontade de distribuir ramos de flores aos amigos mais queridos veio dos últimos quatro dias intensos em alegria, tristeza, saudade e amor.
Presenteio então com flores desde Kibe (Márcio Macedo), meu inteligentíssimo amigo à distância que muito me faz rir e tem o poder de colocar o meu lento cérebro para funcionar, a Naná, cuja proximidade faz com que viajemos na maionese quase diariamente, mulheres da lua que somos, passando por Thatiana, é claro, Miranda, Claudia Fabiana, Angélica, Dani, Su, Déa, Kátia, Adjoa, Jason, Renato, Adriana, Felipe, Lina, Walfredo, Tias Zelina e Bubu, Lua, Joana, Wilson, Fábio, Simone, Carlinhos, Lu, Máxima, Fili e Flora. A tod@s vocês, agradeço a amizade através do florido cenário e figurino do show de Vanessa da Mata, cantando a alegre música BAÚ. No meu bauzinho afrocentrado, não estão só as lindas flores que têm me enfeitado por aí, estão também a memória boa, muito boa de cada um de vocês...
Nao é que hoje, diante de tão intensos e contraditórios sentimentos me deu vontade de distribuir flores a amig@s especiais que, por diferentes motivos, têm participado da minha vida recente direta ou indiretamente. Todos esses, sendo familiares ou não, inspiram-me diariamente para trilhar caminhos cada vez mais de acordo com o que acredito e quero pra minha vida e pro mundo.
Eita! Acho que acordei vendo flores em tod@s que têm me rodeado, porque recebi a terna visita de uma amiga de infância. Gente! Há coisa mais confortável do que ter um amiga de infância? Minha nossa, é muita vida junta pra atar e desatar nós... Duas meninas se conhecem aos 11 anos numa fila de escola, uma experiência nova pras duas. A maior, com cara emburrada porque não queria de jeito nenhum sair da escola antiga, com medo também. A menorzinha toda animadinha e solta... Aqui é a fila da 1503? É sim, responde a maior, sem querer prolongar o papo. Apesar de a menor ter achado a maior metidinha, a identificação foi mútua e quase instantânea. O tempo tem passado, nossas vidas têm tomado caminhos tão distintos, mas a admiração mútua continua. Sinto muitos fios atando-nos uma a outra, apesar da distância física já há alguns anos, apesar de sermos mesmo bastante diferentes uma da outra. Mas isso não importa, porque o que importa nas longas amizades é saber que a pessoa está lá, em algum lugar do mundo, vivendo a própria vida, mas que ao primeiro alô ou abraço a intimidade de sempre é instantaneamente retomada, tanto tanto que até zoação é a mesma de sempre. Através de amig@s de muito tempo nos reconhecemos novamente pelo olhar antigo-novo lançado sobre nós. Às vezes, achamos que mudamos muito, mas vem a amiga e mostra o quanto algum
as ações, discursos ou maneira de ser são os mesmos de anos atrás. Os conselhos continuam sinceros, desinteressados de tudo que seja interesse prático, material. E as fofocas, nossa, as fofocas são sempre renovadas... Muito bom!
A presença de Thati aqui em casa deu leveza a um momento triste pela perda da minha querida Tia Áurea, Bubu para os de casa (Quem quiser conhecer um pouco dessa mulher especialíssima, leia neste mesmo blog o texto MINHAS DUAS ANCESTRAIS VIVAS (declaração de amor). Apesar da tristeza da ausência, a tranqüilidade de saber que uma mulher tão boa, espirituosa e engraçada como Tia Bubu sofreu pouco no seu fim. Sinceramente, o Deus que ela tanto acreditava não podia deixá-la sentir muita dor, se angustiar mais do que a própria angústia de se saber próxima do fim indefinido... que nos espera sempre. Agora, sentada ao lado de Lelinho, seu irmão, e de todos os outros que já estavam ansiosos para rever sua alta gargalhada, tenho certeza de que Tia Bubu está em paz! Como despedida, ela, envolta em lindas margaridas brancas e amarelas, ao lado dos que a amavam assistimos a uma linda missa cantada. Por um instante, pude escutar sua voz cantando alto e suas palmas exultantes! Ali então senti que ela foi embora feliz. Acho mesmo que ela desencantou daqui, para encantar outros mundos, outras gentes...
Voltar pra casa do funeral e rir com Thati foi um bálsamo de doce aroma regando as infinitas flores do meu próprio jardim... Por tudo isso, a vontade de distribuir ramos de flores aos amigos mais queridos veio dos últimos quatro dias intensos em alegria, tristeza, saudade e amor.
Presenteio então com flores desde Kibe (Márcio Macedo), meu inteligentíssimo amigo à distância que muito me faz rir e tem o poder de colocar o meu lento cérebro para funcionar, a Naná, cuja proximidade faz com que viajemos na maionese quase diariamente, mulheres da lua que somos, passando por Thatiana, é claro, Miranda, Claudia Fabiana, Angélica, Dani, Su, Déa, Kátia, Adjoa, Jason, Renato, Adriana, Felipe, Lina, Walfredo, Tias Zelina e Bubu, Lua, Joana, Wilson, Fábio, Simone, Carlinhos, Lu, Máxima, Fili e Flora. A tod@s vocês, agradeço a amizade através do florido cenário e figurino do show de Vanessa da Mata, cantando a alegre música BAÚ. No meu bauzinho afrocentrado, não estão só as lindas flores que têm me enfeitado por aí, estão também a memória boa, muito boa de cada um de vocês...
domingo, 16 de agosto de 2009
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve

Então, chega a ser engraçado como rememorar é o verbo que, com certeza, está sob a minha escrita. Busco subterfúgios num tema ou noutro, mas sempre volto para mim e para os meus. Como amante de palavras, sempre soube, antes só teoricamente, é verdade, da potência libertária das memórias. Mas como nunca tinha coletivizado as minhas próprias, somente desde que criei este espaço aqui vejo o quanto relembrar o passado liberta a gente de nossas sombras ou faz com que a gente reencontre em algum canto de nós uma felicidade guardada. É por isso que hoje, neste misto de homenagem e divulgação, só posso começar pelo que lembro de há muito tempo atrás. Eu, no início da adolescência, meu irmão, com uns 6,7 anos.
Meu maior momento de liberdade em casa era quando todos saíam e eu ficava em casa só, com a sala toda ao meu dispor. Afastava os móveis, colocava no som bem alto "Bat Macumba" de Gil e ensaiava feliz meus passos sinuosos e semi-acrobáticos de dança afro, suadamente aprendidos com Charles Nelson. Ai ai, pulava, pulava e no auge daquela sessão infernal, ainda contava 2,3, 4, 5, 6, 7, 8... dava giros, mexia os ombros, enfim...
Possivelmente, disso não lembro bem mesmo, fazia essas sessões mesmo quando meu irmão se trancava no quarto da minha mãe para ver desenho animado. Só lembro de um dia estar todo mundo no meio da sala, meu irmão pular e ficar fazendo os giros idênticos aos que eu fazia. Tive um misto de raiva e muita vontade de rir, porque aquilo não era pra ninguém ver. Numa dessas de estar trancado no quarto ele deve ter saído, visto aquela cena insandecida e voltado correndo, para não levar uma grande bronca da irmã mais controladora do mundo. A imitação daquele menininho magrelo gerou a gozação geral de todos lá em casa, né?
A vida lá em casa para Felipão nunca foi fácil! Éramos três mulheres geniosas. Às vezes me pergunto: como ele sobreviveu?!?! Mas ta aí, como dizem, bem criado!
A casa barulhenta da gente gerou em meu irmãozinho uma paixão doida por música. O negócio era escutar música alta da boa, tocar piano, teclado, atabaque, o que tivesse em nossa casa de muitos sons. Hoje ele é o que podemos chamar de "garimpador de música boa". Muito boa, por sinal!!!
Se tive minha fase "show caseiro" sem noção, meu irmão também já quase enlouqueceu a casa toda quando resolveu tocar trumpete. Ainda bem, não morava mais lá. Mas sempre que ia pra minha mãe, escutava: pronto, começou! Era um firifim fim infindável! Um belo dia, sem mais nem menos, fiquei sabendo que ele tinha vendido o trumpete. Desistiu de ser Miles Davis! Para a felicidade daquelas mulheres todas!
Mas a paixão pela música tem dado muitos frutos. Meu irmão é mestre em fazer belíssimas seqüências de boa música brasileira contemporânea no FUNK-SE O BRASIL, um dos programas do blog coletivo Rio Groove FM. As swingadas seqüências são resultado de pesquisa musical e muita paixão por todo tipo de música grooveada, funkeada, como queiram! Vale escutar, vale ler os posts e fazer downloads dos álbuns pelos quais se interessem. O blog é todo interessante, porque os outros DJ's também mandam muito bem. Mas, por incrível que pareça, tem mais ouvintes e leitores em países europeus do que aqui no Brasil. Bora conferir, minha gente!
Disponibilizo o programa mais atual, embora o que mais goste seja o de hip hop (pocket 13). Quem quiser, é só clicar em POSTS, dentro do podcast e selecionar o de número 13. Além disso, dá para conferir todos os outros.
E aguardem mais novidades...DJ Gaoners ainda vai trazer muita música boa pra essa doida e maravilhosa coisa que chamamos de mundo virtual, internet, rede, o que quer que seja! Felipão, irmão querido, estamos juntos sempre!!!! É nós...
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Meu maior momento de liberdade em casa era quando todos saíam e eu ficava em casa só, com a sala toda ao meu dispor. Afastava os móveis, colocava no som bem alto "Bat Macumba" de Gil e ensaiava feliz meus passos sinuosos e semi-acrobáticos de dança afro, suadamente aprendidos com Charles Nelson. Ai ai, pulava, pulava e no auge daquela sessão infernal, ainda contava 2,3, 4, 5, 6, 7, 8... dava giros, mexia os ombros, enfim...
Possivelmente, disso não lembro bem mesmo, fazia essas sessões mesmo quando meu irmão se trancava no quarto da minha mãe para ver desenho animado. Só lembro de um dia estar todo mundo no meio da sala, meu irmão pular e ficar fazendo os giros idênticos aos que eu fazia. Tive um misto de raiva e muita vontade de rir, porque aquilo não era pra ninguém ver. Numa dessas de estar trancado no quarto ele deve ter saído, visto aquela cena insandecida e voltado correndo, para não levar uma grande bronca da irmã mais controladora do mundo. A imitação daquele menininho magrelo gerou a gozação geral de todos lá em casa, né?
A vida lá em casa para Felipão nunca foi fácil! Éramos três mulheres geniosas. Às vezes me pergunto: como ele sobreviveu?!?! Mas ta aí, como dizem, bem criado!
A casa barulhenta da gente gerou em meu irmãozinho uma paixão doida por música. O negócio era escutar música alta da boa, tocar piano, teclado, atabaque, o que tivesse em nossa casa de muitos sons. Hoje ele é o que podemos chamar de "garimpador de música boa". Muito boa, por sinal!!!
Se tive minha fase "show caseiro" sem noção, meu irmão também já quase enlouqueceu a casa toda quando resolveu tocar trumpete. Ainda bem, não morava mais lá. Mas sempre que ia pra minha mãe, escutava: pronto, começou! Era um firifim fim infindável! Um belo dia, sem mais nem menos, fiquei sabendo que ele tinha vendido o trumpete. Desistiu de ser Miles Davis! Para a felicidade daquelas mulheres todas!
Mas a paixão pela música tem dado muitos frutos. Meu irmão é mestre em fazer belíssimas seqüências de boa música brasileira contemporânea no FUNK-SE O BRASIL, um dos programas do blog coletivo Rio Groove FM. As swingadas seqüências são resultado de pesquisa musical e muita paixão por todo tipo de música grooveada, funkeada, como queiram! Vale escutar, vale ler os posts e fazer downloads dos álbuns pelos quais se interessem. O blog é todo interessante, porque os outros DJ's também mandam muito bem. Mas, por incrível que pareça, tem mais ouvintes e leitores em países europeus do que aqui no Brasil. Bora conferir, minha gente!
Disponibilizo o programa mais atual, embora o que mais goste seja o de hip hop (pocket 13). Quem quiser, é só clicar em POSTS, dentro do podcast e selecionar o de número 13. Além disso, dá para conferir todos os outros.
E aguardem mais novidades...DJ Gaoners ainda vai trazer muita música boa pra essa doida e maravilhosa coisa que chamamos de mundo virtual, internet, rede, o que quer que seja! Felipão, irmão querido, estamos juntos sempre!!!! É nós...
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domingo, 2 de agosto de 2009
Poema para o dia de hoje
Não é que hoje acordei com uma cena de um ano atrás na cabeça... Eu na casa da minha amiga Adjoa, fazendo exercícios para me soltar em um dos idiomas dela. Muito engraçado, bolávamos uma doideirinhas que, no fim, podiam até não darem certo, mas ríamos muito... sempre! Eu e ela na cozinha lendo dramaticamente o poema "Phenomenal Woman". Ainda mais me empolguei, quando ela disse que as adolescentes amavam, divagamos em torno de aulas interessantes de literatura e, depois, voltamos ao poema. Ela, com um vozeirão, é certo, lia mais dramaticamente do que eu. Depois daquilo, fiquei dias lendo-o em casa e acabei entrando mesmo no clima de auto-valorização do poema.
Pois é, hoje, de ressaca de um porre daqueles que a vida me preparou, o som de alguns versos do poema voltaram à minha mente com toda força. Resolvi então relê-los, escutá-los e disponibilizar o poema aqui neste blog piegas pra lá de íntimo. Pode até ser que milhares de homens não fervilhem atrás de mim, mas que sou uma mulher fenomenal, ah sou!
terça-feira, 21 de julho de 2009
Somos corpo só e mais nada

Ele me beijará com os beijos de sua boca.
Seu abraço me transportará mais alto que o vinho.
Suave é o aroma dos teus ungüentos,
como ungüento derramado é o teu nome,
por isso, as donzelas te amam
(Cântico dos Cânticos de Salomão, 1, 2-3)
como ungüento derramado é o teu nome,
por isso, as donzelas te amam
(Cântico dos Cânticos de Salomão, 1, 2-3)
Não, não, de jeito algum sou hedonista, mas digo logo, só acredito em alma colada a corpo. A percepção que nos é dada como humanos coloca o corpo, esse ente amedrontador, como o centro de tudo. Se sentimos medo, dor, prazer, desejo, tudo isso é o corpo que vai indicar, sinalizar, esconder ou mostrar. É isso! Eros passa por tudo! Nesse sentido sou bem erótica mesmo!
Divagando em minhas reflexões fantasiosas, nada sociológicas, fico pensando se o afastamento absurdo que diversas culturas promovem do próprio corpo não significa, no fim de tudo, um medo absurdo de nossa finitude. É, gente, faz um certo sentido, porque, de fato, o prazer sexual é muito forte, inexplicável e passageiro, transitório como a própria vida.
Como podemos dar conta de tamanha contradição? Sei não, como se trata de um pensamento baseado na imaginação, dou-me o direito de não achar respostas. Mas também me dou o direito ao espanto, quando me deparo com discursos que separam tudo: corpo de alma, céu de inferno, poesia de sexo. Aí não dá! Se literatura se funda na vida e nas relações sociais, para mim, nada mais "natural" do que o corpo erotizado, em excitação, compor linhas de inúmeros poetas e poetisas.
Há mais ou menos dois meses apresentava um trabalho acadêmico ao lado de uma renomada pesquisadora de literaturas africanas e literatura afro-brasileira. Fechei minha fala lendo este poema:

Na hora do debate, não lembro bem por que, mas a pesquisadora falou mais ou menos assim: "Ia ler também esse poema da Marise, mas achei erótico demais, achei que poderia chocar vocês." O meu espanto foi que esse poema nunca me chocou e mais de uma vez já o levei para discutir com os meus alunos, tanto pela riqueza rítmica dele quanto pela perspectiva feminina. Mulher no comando da prática sexual, no mínimo, trai imagens correntes de mulheres passivas, receptáculos de tudo no mundo, inclusive do prazer sexual. Além do mais, meus amig@s desafrocentrad@s que me desculpem, mas a sutileza da palavra "jazz" coroando esse ato de prazer, não só faz referência expclícita ao gozo, já que uma das etimologias possíveis da palavra é essa, mas também afro-poetiza essas linhas, relacionando-as a um gênero musical afro-americano.
Foi naquele momento de indignação que comecei a pensar em trazer pra cá alguns textos que me deixam, diríamos, molhada. Também comecei a constatar como a intimidade sexual é normalmente vista como algum tipo de perversão ou algo espúrio, pura sacanagem, que deve ser mantida debaixo das camas, bem lá no fundo mesmo. Pedi a 3 amigos que escrevem poesias, para que disponibilizassem as suas mais quentinhas. Todos três deram desculpas evasivas e literalmente fugiram. Ficando impedida de publicar inéditos aqui neste blog, vamos a poesias já conhecidas mesmo.
A poesia que fala do corpo erotizado desce ao nível do leitor comum, por isso é interessante ver um poeta tradicionalmente visto como o mestre dos parnasianos, aquele que escrevia "longe do estéril turbilhão da rua", escrevendo o delírio de um homem ao dar prazer sexual a uma mulher.
Delírio
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E em frêmitos carnais, ela dizia:
Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos,
Disse-me ela, ainda quase em grito:
Mais abaixo, meu bem! Num frenesi
No seu ventre pousei a minha boca
Mais abaixo, meu bem! Disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...
Olavo Bilac
Ou mesmo o, a meu ver, infantilizado Manuel Bandeira, que morre velho, mas carrega, em sua biografia, o peso da tuberculose que o condenou à morte ainda moço. Aos olhos de quem se resume a conhecer o poeta pelos bancos escolares, tratava-se de um homem triste que pouco aproveitou a vida, voltado que era para as suas memórias da infância numa Recife perdida. A poesia A cópula, no entanto, mostra um Bandeira maravilhosamente devasso, pervertidamente humano.
Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e tujescente.
Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinente.
Não pode ele conter-se, e, de um jato esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente
Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra!?
Grita para o rapaz que aceso como o diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra
E tintilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra)
lhe enfia cona a dentro o mangalho até o cabo.
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e tujescente.
Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinente.
Não pode ele conter-se, e, de um jato esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente
Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra!?
Grita para o rapaz que aceso como o diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra
E tintilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra)
lhe enfia cona a dentro o mangalho até o cabo.
Essa história de armado e desarmado é ótima! Até na hora do sexo, para o homem, impera a batalha, a luta, a guerra. Nossa! E pelo que vemos, nossos poetas sérios e conseqüentes gostam mesmo, em suas simulações sexuais, é de mulheres nada recatadas. Não quero separar nada aqui, por isso não caio na cilada de dizer que as mulheres que gritam de prazer nas duas últimas poesias são somente para foder, na cabeça dos homens. Recuso-me a me limitar às representações mais comuns e acho sim que homens, tal qual as mulheres, ora unem o prazer sexual ao sentimento amoroso e ora separam ambos os espaços. Cuti une liricamente sexo à intimidade amorosa no maravilhoso Luz na uretra:
O coração na cabeça do pênis
sístole e diástole sou-te
na vagina
e
num vôo riacho
espalho-me
via láctea
no teu infiníntimo.
E também De Paula imagina um deliciosíssimo ICE-CREAM, alimento do corpo e da alma, que, além de saborosamente prazeroso, aquece e funde dois amantes apaixonados:
O coração na cabeça do pênis
sístole e diástole sou-te
na vagina
e
num vôo riacho
espalho-me
via láctea
no teu infiníntimo.
E também De Paula imagina um deliciosíssimo ICE-CREAM, alimento do corpo e da alma, que, além de saborosamente prazeroso, aquece e funde dois amantes apaixonados:
Teus lábios... framboesa.
Meu sorvete... chocolate.
Você chupa...
A gente se aquece, se funde...
O gelo derrete....
Você amolece,
Eu me enrijeço.
Teus lábios... morango.
Minha cobertura... caramelo.
Arfando... gemendo,
Meu creme transborda,
Em jorros de emoção,
Prazer ... e alimento.
Meu sorvete... chocolate.
Você chupa...
A gente se aquece, se funde...
O gelo derrete....
Você amolece,
Eu me enrijeço.
Teus lábios... morango.
Minha cobertura... caramelo.
Arfando... gemendo,
Meu creme transborda,
Em jorros de emoção,
Prazer ... e alimento.
Mulheres, falando poeticamente de experiência sexuais, dão voz a séculos de silenciamento. A solidão de um sábado à noite se transforma, na poesia Nós voláteis de Lia Vieira, em uma erótica experiência a sós.
Billie Holliday e aquela solidão arretada,
numa noite de sábado.
O feriadão levara as pessoas.
Para disfarçar o tempo, queimou um comercial
e ligou a tevê sem o som.
Para ocupar suas idéias,
um variação de literatura esotérica.
Nesta digressão filosófica, o teto começou a vibrar.
Atentou para o ruído e
percebeu que a libido no apartamento de cima começara.
Estavam literalmente fodendo na sua cabeça.
Aqueles rangidos e gemidos ritmados
lhe despertavam desejos adormecidos até então.
Seu corpo retesou-se e arqueou-se em ondas, enquanto a
dupla alienígena
contemplava a encenação.
Lá fora, a vida fervilhava, e ela
solitariamente pegava uma carona
nesse trem de fantasias.
A partir de perspectiva onírica, a portuguesa Maria Tereza Horta encena a descoberta do ato sexual entre esses seres imaginários que talvez representem a inocência diabólica do corpo e de todos os prazeres eróticos:
Billie Holliday e aquela solidão arretada,
numa noite de sábado.
O feriadão levara as pessoas.
Para disfarçar o tempo, queimou um comercial
e ligou a tevê sem o som.
Para ocupar suas idéias,
um variação de literatura esotérica.
Nesta digressão filosófica, o teto começou a vibrar.

Atentou para o ruído e
percebeu que a libido no apartamento de cima começara.
Estavam literalmente fodendo na sua cabeça.
Aqueles rangidos e gemidos ritmados
lhe despertavam desejos adormecidos até então.
Seu corpo retesou-se e arqueou-se em ondas, enquanto a
dupla alienígena
contemplava a encenação.
Lá fora, a vida fervilhava, e ela
solitariamente pegava uma carona
nesse trem de fantasias.
A partir de perspectiva onírica, a portuguesa Maria Tereza Horta encena a descoberta do ato sexual entre esses seres imaginários que talvez representem a inocência diabólica do corpo e de todos os prazeres eróticos:
Os anjos
Os anjos descobrem
a vulva
no mesmo instante
em que sabem
do pênis:
com
as pernas ligeiramente
abertas
e desviando as asas
São raríssimas as
asas
que não partem dos seios
a florir nos
ombros
Como um manso púbis
com os seus veios
de sombra
E o anjo
debaixo
ficou a acariciar o pênis
do anjo que voava
por cima
de manso
procurando
o fundo da vagina
Os anjos descobrem
a vulva
no mesmo instante
em que sabem
do pênis:
com
as pernas ligeiramente
abertas
e desviando as asas
São raríssimas as
asas
que não partem dos seios
a florir nos
ombros
Como um manso púbis
com os seus veios
de sombra
E o anjo
debaixo
ficou a acariciar o pênis
do anjo que voava
por cima
de manso
procurando
o fundo da vagina
De maneira mais explícita, também cantamos o membro que nos absorve, enruga e arrepia, tal qual Regina Amaral, em Tesão:
Teu falo é um facho
Fascinante.
Eu me encrespo
Sempre...
Teu facho é um fato
irreversível!
Se inicei com um texto bíblico em que o vinho torna mais alto o ambiente de Sulamita e Salomão, termino com o que o efeito Baco desperta em meu corpo. Já me perguntaram inclusive se não sou eu a Tarada num carro. Quem sabe? O poema foi feito por Ana C. Pozza, que inclusive tem uma produção para lá de quente, mas, como leitora que é leitora se apossa do alheio pra ela, pode ser que seja eu mesma.

Eu não minto
Eu invento
E se tomo vinho tinto
Logo me esquento!
Quando sinto,
Eu tento.
Percorro o labirinto,
Busco o vento.
Arranco o teu cinto,
Deixo-te sedento
Aí vejo o teu pinto
E sento!
Há ainda infinitas possibilidades de erotismo poético. Isso aqui na verdade é só um aperitivo. Não selecionei poesias que tratam, por exemplo, da prática homossexual por puro desconhecimento. Outras seleções certamente virão. Por ora, quem quiser ler mais, vale a visita ao site Poesia Erótica.
Teu falo é um facho
Fascinante.
Eu me encrespo
Sempre...
Teu facho é um fato
irreversível!
Se inicei com um texto bíblico em que o vinho torna mais alto o ambiente de Sulamita e Salomão, termino com o que o efeito Baco desperta em meu corpo. Já me perguntaram inclusive se não sou eu a Tarada num carro. Quem sabe? O poema foi feito por Ana C. Pozza, que inclusive tem uma produção para lá de quente, mas, como leitora que é leitora se apossa do alheio pra ela, pode ser que seja eu mesma.

Eu não minto
Eu invento
E se tomo vinho tinto
Logo me esquento!
Quando sinto,
Eu tento.
Percorro o labirinto,
Busco o vento.
Arranco o teu cinto,
Deixo-te sedento
Aí vejo o teu pinto
E sento!
Há ainda infinitas possibilidades de erotismo poético. Isso aqui na verdade é só um aperitivo. Não selecionei poesias que tratam, por exemplo, da prática homossexual por puro desconhecimento. Outras seleções certamente virão. Por ora, quem quiser ler mais, vale a visita ao site Poesia Erótica.
sábado, 4 de julho de 2009
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